Num dia desses, eu estava folheando o livro ‘A ARTE DA DEGUSTAÇÃO – Livro de Anotações’ do Fernando Cornacchia, quando me deparei com um texto delicioso do Mário Sérgio Cortella. Não sei se estou infringindo algun direito autoral, mas vou correr o risco e reproduzir o texto aqui. Sou daqueles que perde o amigo, mas não deixa passar a oportunidade:
“JANEIRO DE 2000! O “BUG DO MILÊNIO” NÃO ACONTECEU, ainda não era a hora de fazer a virada para o século 21, as chuvas de verão foram inclementes e apavorantes em algumas cidades.
Uma delas foi Campos do Jordão, com desabamentos e estradas obstruídas. Ainda assim, eu insistira com Janete que fôssemos ficar lá alguns dias, para descansar e apreciar vinhos em lugar menos quente.
Ela, jornalista, recém-chegada dos Estados Unidos – onde morara na Califórnia nos últimos seis meses de 1999, como correspondente de revista semanal -, esposa incansável, mesmo de jet lag completo, acendeu ao meu suspiro.
Lá fomos, algumas garrafas de tinto na bagagem e vontade de aquietar. Hotel quase vazio, somente três suítes ocupadas: uma família asiática (com suas crianças velozes e ruidosas), outra com um magistrado e consorte (que vimos às vezes também degustando tintos) e, na outra, nós.
Na terceira noite lá, estávamos na suíte apreciando e aperitivando umas boas taças do Periquita em ótima temperatura ambiente, lembrando que José Maria da Fonseca fez a primeira garrafa em 1834 e nós, 166 anos depois, não tínhamos desistido. Descemos para o jantar, mesas e mesas vazias, o juiz e sua cônjuge nos convidam para com eles sentar e, aproveitando que já estavam com garrafa aberta de ótimo chileno, estendem taças para partilharmos.
Janete, ainda distraída pela mudança muito rápida de fuso horário, um pouco perturbada pela longa viagem feita desde aquela outra terra de bons vinhos, agradece a gentileza e diz: “Obrigada, mas acabamos de tomar lá no quarto um Perereca inteirinho”.
Até hoje recebo e-mails do afamado juiz, risonho e matreiro, perguntando como está a safra pererecal…
Mário Sérgio Cortella”
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Cortella. Não sei se estou infringindo algun direito
autoral, mas eu vou correr
o risco. Sou daqueles que perde o amigo, mas não deixa
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fôssemos ficar lá alguns
dias, para descansar e apreciar vinhos em lugar menos quente.<o:p></o:p></span>
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José Maria da Fonseca fez a
primeira garrafa em 1834 e nós, 166 anos depois,
não tínhamos desistido.
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cônjuge nos convidam
para com eles sentar e, aproveitando que já estavam com
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